Copa 2014: RJ acende o sinal amarelo na gestão da Internet brasileira

banda_larga_brasileiraO gerente do PTT.br – ponto de troca de tráfego Internet do Nic.Br, Eduardo Ascenço Reis, diz que há uma preocupação significativa com a gestão da Internet no Rio de Janeiro no período da Copa do Mundo. Segundo ele, a infraestrutura disponível, hoje, em especial as redes de fibra óptica, não é a ideal para a demanda prevista no megaevento.

“Não temos como ampliar a capacidade do PTT do Rio para 100 Giga (hoje é de 20 Giga) por condições técnicas”, adverte. A partir do dia 13 de maio 0 30 dias antes do começo dos jogos da Copa – não haverá mais distribuição de portas para a troca de tráfego. “Vamos ficar no suporte para evitarmos uma sobrecarga na Internet brasileira”, explica Reis.

Os equipamentos para reforçar a operação do PTT da cidade – que, na prática, permite que os provedores controlam melhor o tráfego que entra e sai de sua rede, reduzindo a latência e reduzindo os custos decorrentes da troca de tráfego – já estão disponíveis, mas a infraestrutura existente no Rio – com a baixa qualidade da rede de fibra óptica, em especial, na Barra da Tijuca, onde ficará o Centro de Imprensa, exige uma atenção especial. “Estamos trabalhando duro”, diz.

Atualmente, segundo Ascenço Reis, a troca de tráfego no Rio de Janeiro está em torno de 20 Giga por segundo, número até relativamente baixo – em São Paulo, hoje, já são 400 Giga por segundo – mas com a Copa, certamente, esse volume deverá crescer substancialmente. “E temos que estar preparados para evitar a troca de tráfego mais custosa, que é o dado ‘viajando’ pelo país”, diz. No Brasil, sustentou ainda Reis, que participou nesta terça-feira do 2º Congresso Provedores Internet, realizado nesta terça-feira 01/04, em São Paulo, os vídeos, em geral, já representam entre 40% a 50% do tráfego da Internet.

Uma das ações para favorecer a gestão do tráfego Internet no período da Copa 2014 é a suspensão, 30 dias antes do evento, da inclusão dos participantes nos PTTs para a troca de tráfego. A medida, explica Reis, foi adotada nas Olimpíadas 2012, em Londres, e trouxe bons resultados. “A suspensão é necessária para que a equipe atue bastante no suporte. Em São Paulo, estamos ampliando para 100 Giga a capacidade. A Rede Globo é uma que está ‘correndo’ para ter seus sistemas ajustados. Há outros seis pedidos e já temos equipamentos preparados”, explica ainda o gerente do PTT.br.

Participam do PTTMetro diversos tipos de instituições e empresas, como bancos, universidades, corporações de conteúdo, provedores de serviços, emissoras de televisão, empresas de telecomunicações, órgãos dos Governos Municipais, Estaduais e Federal, entre outros segmentos. As operadoras entraram após a obrigatoriedade da medição da banda larga, mas Reis admite que ainda há pouca adesão dos provedores Internet.

“Para os provedores Internet essa medida é extremamente importante, mas há poucos nos PTTs. Seria fundamental que o tráfego de conteúdo de Manaus ficasse em Manaus. Hoje, muitas vezes, esse tráfego sai de Manaus, vem ao Rio, e volta para provedor B na capital amazonense. Isso é um custo alto de infraestrutura de telecom”.

A falta de cultura na troca de tráfego é um problema a ser superado no Brasil, acrescenta Reis. Numa comparação com a Europa, por exemplo, o país fica bem para trás. “Temos no PTT de São Paulo mais de 500 participantes. O que é um número bastante alto e que nos coloca em evidência no mundo. Mas a troca efetiva de tráfego ainda é pequena. Em Amsterdam, por exemplo, o PTT deles já troca 3 terabytes. A distância é muito grande e precisamos trabalhar muito para que os provedores entendam que a troca de tráfego é um bem para todos”, completa o gerente do PTT.br.

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