Anatel acelera discussão sobre certificação de equipamentos com IPv6

ipv6Como parte da operação que busca acelerar a transição das redes e equipamentos utilizados no Brasil para o IPv6, a Anatel abriu uma consulta pública para discutir a “construção de requisitos técnicos mínimos” que permitam avaliar o suporte ao protocolo nos terminais.

Como explica a agência nos termos da consulta pública 13/2014, a ideia é “avaliar se os produtos destinados ao uso do público em geral estão aptos a utilizar a nova versão do protocolo IP”. Ou, ainda, a busca da “aceleração da implantação do novo protocolo nas redes de serviços de telecomunicações”.

Em fevereiro, o NIC.br já voltara a alertar que “um problema bastante sério acontece com os equipamentos utilizados por consumidores domésticos, como smartphones e roteadores WiFi: boa parte dos equipamentos vendidos no mercado ainda não suportam IPv6”.

Nessa época, sem uma resposta satisfatória das operadoras de telecomunicações – principais responsáveis pelo backbone nacional e, portanto, às conexões à Internet no Brasil – a Anatel passou a atuar diretamente na discussão sobre a transição para o IPv6.

“Outro problema sério é que algumas das operadoras de telecom responsáveis pelo backbone da rede estão atrasadas na implantação do IPv6. A inação de algumas delas provocou uma bem vinda reação da Anatel, que atuaria mais fortemente junto a esse setor para que um cronograma fosse definido”.

Daí que um dos caminhos avaliados foi acrescentar o suporte ao IPv6 nos requisitos da homologação de equipamentos pela Anatel – como os mencionados smartphones e roteadores. É sobre isso que se trata a consulta pública iniciada hoje e que recebe contribuições da sociedade até 2/6.

No documento, a Anatel também alerta que “a transição está evoluindo muito devagar e em algumas redes ainda não há um horizonte próximo de atividade nesta área”. A partir de junho restará apenas uma reserva pequena de endereços IPv4 para atender novos entrantes na Internet e situações emergenciais.

A proposta da gerência de certificação “é seguir os perfis desenhados pelo IETF para os terminais com funções de host, roteador e terminais com interfaces para os serviços móveis. Já para os terminais com interfaces para sistemas de TV por assinatura, a proposição é seguir o perfil especificado pela Cable Labs”.

No caso, tratam-se do tratamento do IETF sobre IPv6 constantes das RFCs 6434 e 6334 (host), 7084 e 6333 (roteadores) e 7066 (aparelhos celulares). No caso da transmissão de dados por cabo, a proposta da Anatel é seguir as indicações da Cable Labs no CM-SP-eRouter- I10-130808.

A grande dificuldade em ‘empurrar’ as teles para o IPv6 é o “preço”. “Os custos iniciais poderão ser significantes. Dependerá dos equipamentos instalados. Os custos operacionais também serão grandes por causa da necessidade de coexistência das duas versões do protocolo”, avalia a agência.

“Um dos grandes fatores que dificultam a mudança para o protocolo IPv6 é o custo para esta migração, devido à necessidade de adequação da rede e treinamento de seus operadores. Além do núcleo da rede, os terminais de usuário (modems, telefones smartphones, telefones IP, etc), em sua maioria, ainda não possuem suporte ao protocolo ou não possuem todas as funcionalidades necessárias para operarem em um ambiente IPv6.”

 

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