‘Arrumar a casa’ ainda é o grande foco da Oi

Nesta quarta-feira, 13/11, em teleconferência de resultados do terceiro trimestre – onde a Oi obteve um lucro líquido de 172 milhões de reais entre julho e setembro, revertendo o prejuízo de 124 milhões sofrido no segundo trimestre deste ano – o presidente da tele, Zeinal Bava, deixou claro que a ordem ainda é ‘arrumar a casa’. O pré-pago será a grande aposta para o natal de 2013. “E já estamos obtendo resultados. A recarga aumentou 8,8% no período”, destacou.

Bava não escondeu que a Oi tem um longo caminho pela frente. Admitiu, por exemplo, que a receita de dados da empresa – apesar de ter melhorodo chegando a 17,7% na receita total – ainda está bem abaixo do mercado. E negou que a empresa esteja fora do mercado de smartphones. “Não estamos, mas temos que pensar na nossa logística e evitar a inadimplência, mas se os nossos rivais estão bem em dados, não há porquê nós não irmos também. A mobilidade é um dos nossos pilares. Vamos ampliar nossa rede 2G e 3G, queremos os smartphones, mas ainda há muitos feature phones ativos”, frisou.

Ponto de reflexão foi a posição da Oi com relação à conexão fibra óptica. Bava deixou claro que, hoje, essa não é uma prioridade nos investimentos de rede da companhia. O Wi-Fi – que chegará a 500 mil pontos de acesso – ganha mais destaque. “Teremos fibra em condomínios e em áreas onde a concorrência se faça mais necessário. Mas hoje não estamos correndo para fibrar”, destacou. Essa orientação diverge das rivais TIM e Vivo que estão apostando forte no FTTS(fiber to the site) para melhorar a capacidade da rede e da transmissão.

A Oi também comemorou a diminuição da taxa de saída de clientes.”O churn da banda larga (móvel e fixa) em setembro foi o mais baixo dos últimos dois anos” disse. Mas não escondeu: arrumar a casa significa também um menor volume de investimento. “O capex do próximo ano vai ser mais baixo do que os 6 bilhões de reais que a maior parte dos analistas tem para esse ano”, disse Bava.

Para os analistas – os jornalistas não puderam fazer perguntas – Bava não quis falar sobre o andamento da fusão PT/Oi. Segundo ele, ‘está tudo seguindo o caminho que tem de ser seguido”, cortando qualquer possibilidade de falar sobre o tema.

Resultados

A Oi registrou no terceiro trimestre de 2013 um lucro líquido de R$ 172 milhões, corrigindo a trajetória de queda e revertendo o prejuízo de R$ 124 milhões do trimestre anterior. A receita totalizou R$ 7,1 bilhões, crescendo 0,4% em relação ao segundo trimestre e 0,8% em relação ao igual período do ano passado.

O crescimento foi suportado principalmente pela expansão da base de TV paga (50% no ano) e banda larga (7,3%) no segmento Residencial; do aumento de recargas (9%) do pré-pago e de uso de dados no segmento de Mobilidade e de receitas com dados e TI no segmento Corporativo. A base de clientes (Unidades Geradoras de Receita – UGRs) somou 74,8 milhões, com aumento de 2,2% no ano.

A dívida líquida da companhia caiu R$ 194 milhões, depois de oito meses em crescimento, confirmando o foco da gestão na disciplina financeira. A queda se deve à melhoria do Ebitda, combinada com uma melhor gestão do capital de giro, em função do foco no pré-pago, eficiência na negociação com fornecedores e no processo de cobrança. Na comparação com o trimestre anterior, houve um aumento de 16% no caixa.  Além disso, a companhia reduziu a exposição em moeda estrangeira (0,5% contra 1,2% no segundo trimestre).

Contribuiu para o resultado o foco no crescimento do segmento do pré-pago, que garantiu o aumento do volume de recargas (9% no ano) – o maior nível histórico. O aumento da receita de dados no segmento de Mobilidade foi de 58% nos últimos 12 meses. Os custos totais da Oi registraram queda de 6% no terceiro trimestre, fechando em R$ 4,96 bilhões.

A redução mostra os primeiros resultados de maior eficiência operacional, com consequente impacto na redução da Provisão para Devedores Duvidosos – PDD.  No final do trimestre, a PDD chegou a R$ 201 milhões – R$ 65 milhões por mês – com queda de 38% em relação ao trimestre anterior. O valor representa 2,8% da receita líquida, uma redução de 1,7 ponto percentual, contra 4,6% no segundo trimestre de 2013.

Além disso, a Oi registrou uma queda anual dos custos de interconexão (14%) e menores custos com marketing, que somaram R$ 116 milhões, com retração de 45% em relação ao segundo trimestre.O Ebitda totalizou R$ 2,139 bilhões no trimestre, com aumento de 19,0% em relação ao trimestre anterior, reflexo do crescimento da receita e da redução dos custos.

A margem Ebitda voltou ao patamar de 30,1% no terceiro trimestre contra 25,4% no trimestre anterior. No trimestre, é a melhor margem entre as operadoras do mercado. No terceiro trimestre, os investimentos somaram R$ 1,54 bilhão, 2,3% acima do trimestre anterior. O CAPEX acumulado até setembro atingiu R$ 4,7 bilhões, indicando que a companhia fechará o ano dentro do valor esperado de R$ 6 bilhões.

 

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