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:: Utilizando os Padrões de Cabeamento

José Mauricio Santos Pinheiro em 01/11/2004

 

Lidar com o cabeamento na maioria das vezes é incômodo e complicado mesmo para os profissionais da área de informática. Entretanto, os cabos ainda são cruciais na montagem da infra-estrutura de muitas redes de computadores.

A grande importância do cabeamento está justamente na possibilidade que ele oferece em permitir que vários equipamentos funcionem em conjunto e comuniquem-se mutuamente. É claro que essa comunicação só é possível quando os projetistas dos sistemas seguem os mesmos padrões de interligação para todos os elementos constituintes da rede. Fica claro que o conhecimento dos padrões de cabeamento é absolutamente crucial quando se está na fase de elaboração do projeto de uma nova rede ou melhoria / ampliação de uma rede existente.

Especificações

Com o crescimento do uso das redes de computadores e a agregação de novos serviços além da voz, dados, telefonia, multimídia, etc, surgiu uma necessidade de se estabelecer critérios para organizar os equipamentos dentro da infra-estrutura da rede. Com relação ao cabeamento, existe um grande número de especificações que cobrem os diversos tipos de cabos, especificações que surgiram de diferentes fontes e que variam desde padrões de conexão, especificações detalhadas das instalações elétricas e aterramento, até códigos de incêndio. Como resultado, as especificações e os padrões muitas vezes se sobrepõem e acabam gerando alguma confusão quanto ao que se adotar em um projeto.

Para projetar adequadamente o cabeamento de uma rede de comunicação é muito importante entender as especificações contidas nas normas e padrões, uma vez que o cabeamento é, provavelmente, a parte mais complexa da infra-estrutura de um sistema em rede e, certamente, a qualidade desse sistema nunca será melhor que a qualidade alcançada na sua infra-estrutura de cabeamento.

Padronização

Existem diversas organizações, entidades governamentais e grupos de trabalho que regulamentam e especificam os elementos da infra-estrutura utilizados em uma rede de comunicação. Organizações internacionais como o IEEE (Institute of Electrical and Electronic Engineers), EIA/TIA (Electronic Industry Association e Telecommunications Industries Association), UL (Underwriters Laboratories), ISO/IEC (International Standards Organization / International Electrotechnical Commission), criam códigos e geram todas as especificações dos materiais utilizados, assim como os padrões para a instalação.

Algumas empresas também desenvolvem especificações para conectores, cabos, centros de distribuição, bem como informações detalhadas sobre as técnicas de instalação, informações conhecidas como Premise Distribution Systems (PDS) ou Sistemas Básicos de Distribuição. As PDS consistem do cabeamento e dos diversos componentes integrados que possibilitam a interligação dos diversos dispositivos que compõem uma rede de computadores.

Essas arquiteturas precederam e serviram de referência para os trabalhos da EIA/TIA, UL e ISO/IEC. Por exemplo, o conceito original de níveis (tipos de cabeamento) de uma grande empresa do segmento de componentes para redes é usado atualmente nos padrões EIA/TIA e do UL.

EIA/TIA

A EIA/TIA gerou os padrões 568 e 569 sobre as características físicas dos cabos onde especifica categorias de cabeamento em cabos coaxiais, cabos de par trançado e cabos de fibra óptica. O padrão EIA/TIA descreve tanto as especificações para performance do cabo quanto sua instalação, porém esse padrão é flexível para que os responsáveis pelo projeto da rede física façam suas opções por soluções mais viáveis e prevendo futuras expansões.

UL (Underwriters Laboratories)

O UL concentra-se em padrões de segurança, oferecendo programas de certificação para avaliar o cabeamento de rede. Possui padrões de segurança para cabos que estão de acordo com o código NEC (americano). Por exemplo, o UL 444 é o padrão de segurança para cabos de comunicação e o UL 13 é o padrão de segurança para cabos utilizados em circuitos de potência limitada. Os cabos para redes podem cair em qualquer uma das duas categorias. O UL avalia amostras de cabos e depois conduz testes e inspeções de acompanhamento, que servem como referência para os fabricantes e integradores de sistemas.

As classificações do UL vão desde Nível I até V e têm a ver com performance e segurança, portanto os produtos que têm nível UL também atendem às especificações NEC apropriadas e aos padrões EIA/TIA para uma categoria específica. Cabos que possuem classificações UL, exibem na camada externa as indicações Level I, LVL I ou LEV 1, por exemplo.

ISO/IEC

A ISO/IEC desenvolveu um padrão de cabeamento denominado Cabeamento Genérico para Instalação do Cliente (Generic Cabling for Customer Premises), denominado de ISO/IEC 11801. A norma ISO/IEC 11801 é equivalente a EIA/TIA 568.

No Brasil, a ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) publicou a norma NBR 14565, com o procedimento básico para elaboração de projetos de cabeamento de telecomunicações para rede interna estruturada.

Códigos para Eletricidade

Passar cabeamento através da estrutura de edifícios implica no risco de incêndios. Várias entidades e fabricantes têm estabelecido padrões de como um cabo deve se comportar na presença de fogo. Um código de aceitação internacional é o NEC (National Electrical Code), desenvolvido pelo NFPA (National Fire Protection Association) dos Estados Unidos, que descreve vários tipos materiais a serem usados na produção dos cabos.

Esse código estabelece, entre outras coisas, o limite de tempo máximo que um cabo deve queimar após a chama ter sido aplicada. Os padrões NEC são listados em muitos catálogos de cabos e acessórios, classificando categorias específicas de cabos de cobre para determinados tipos de uso. Por exemplo, os cabos para redes locais estão geralmente classificados na categoria do tipo CM (communications, ou comunicações), ou no tipo MP (MultiPurpose, ou uso geral). Cada tipo de cabo possui ainda uma letra para designar seu uso. Por exemplo, a letra P, no tipo CMP (Communications Plenum) indica um cabo com propagação limitada de chamas e baixa produção de fumaça.

Conclusão

Ao criar e suportar um padrão de cabeamento tenta-se garantir um ambiente estável para a operação dos equipamentos. Assim, um sistema de cabeamento é formado pelo conjunto das especificações de todos os elementos que compõem essa infra-estrutura. Os cabos, conectores e demais acessórios são descritos por uma documentação técnica que determina também como estes devem ser certificados, tudo de acordo com as orientações elaboradas pelos organismos de padronização.

Nas arquiteturas estruturadas como os sistemas básicos de distribuição, as diretrizes ditadas pelas normas e padrões de cabeamento oferecem alguma garantia para que o projetista possa escolher os elementos corretos para a implantação da rede. Se os responsáveis pela elaboração do projeto e seus executores seguirem como orientado pela documentação, a infra-estrutura de cabeamento funcionará em qualquer ambiente e terá um tempo de vida superior aos próprios equipamentos da rede estruturada.

José Maurício Santos Pinheiro
Professor Universitário, Projetista e Gestor de Redes, 
membro da BICSI, Aureside e IEC.

Autor dos livros:
 
· Guia Completo de Cabeamento de Redes ·
· Cabeamento Óptico ·
· Infraestrutura Elétrica para Redes de Computadores
·
· Biometria nos Sistemas Computacionais - Você é a Senha ·

E-mail: jm.pinheiro@projetoderedes.com.br

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