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:: Mapeando o Cabeamento de uma Rede

José Mauricio Santos Pinheiro em 09/02/2005

 

Os cabos podem ser feios, mas ainda são cruciais na construção de uma rede de computadores. O grande valor e beleza do cabeamento está na possibilidade de vários produtos funcionarem em conjunto e comunicarem-se mutuamente através de um cabo de rede. É claro que essa comunicação só é possível porque os projetistas seguem os mesmos padrões de interligação para todos o cabeamento da rede.

Estruturas de Cabeamento

Com o crescimento do uso das redes de computadores e a agregação de novos serviços e mídias como voz, dados, telefonia, multimídia, etc, surgiu a necessidade de se estabelecer critérios para ordenar e estruturar os sistemas de cabeamento dentro das empresas. Existe um grande número de especificações que cobrem os diversos tipos de cabos e que surgiram de muitas fontes diferentes, variando desde códigos de incêndio até detalhadas especificações elétricas.

Como resultado, as especificações e padrões muitas vezes se sobrepõem e acabam causando confusão; porém entendê-las é muito importante para se projetar adequadamente a infra-estrutura de uma rede de computadores. O cabeamento é, provavelmente, a parte mais complexa da infra-estrutura de um sistema em rede e, certamente, a qualidade deste sistema não será melhor que a qualidade de seu cabeamento.

Padronização

Temos várias organizações, entidades governamentais e grupos de empresas que regulamentam e especificam os tipos de cabos utilizados em redes. Organizações internacionais como o IEEE (Institute of Electrical and Electronic Engineers), a EIA/TIA (Electronic Industry Association e Telecommunications Industries Association), a UL (Underwriters Laboratories), ISO/IEC (International Standards Organization / International Electrotechnical Commission), criam códigos e geram todas as especificações dos materiais utilizados no cabeamento, assim como os padrões de instalação.

Algumas empresas desenvolveram especificações detalhadas para conectores, cabos, centros de distribuição e sobre técnicas de instalação, chamadas Premise Distribution Systems (PDS) ou Sistemas Básicos de Distribuição. As PDS consistem do cabeamento e dos diversos componentes integrados para possibilitar a interligação dos diversos dispositivos de redes de computadores (PC’s, impressoras, câmeras) e uma variedade de outros dispositivos. Essas arquiteturas precederam e serviram de referência para os trabalhos da EIA/TIA e UL. Por exemplo, o conceito original de níveis (tipos de cabeamento) de uma grande empresa do segmento de componentes para redes é usado pelos padrões EIA/TIA e do UL. A EIA/TIA gerou os padrões 568 e 569 sobre características elétricas dos cabos. O IEEE incluiu requisitos mínimos para o cabeamento através de suas especificações da série 802. O UL concentra-se em padrões de segurança, possuindo programas de certificação para avaliar o cabeamento de rede. A ISO/IEC desenvolveu um padrão de cabeamento denominado Cabeamento Genérico para Instalação do Cliente (Generic Cabling for Customer Premises), denominado de ISO/IEC 11801. A norma ISO/IEC 11801 é equivalente a EIA/TIA 568. No Brasil, a ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) publicou a norma NBR 14565, com o procedimento básico para elaboração de projetos de cabeamento de telecomunicações para rede interna estruturada.

Sistemas de Cabeamento

O coração de um sistema de cabeamento é a série de especificações de todos os elementos que compõem sua infra-estrutura. Ao criar e suportar um padrão de cabeamento tenta-se garantir um ambiente estável para a operação dos equipamentos em rede. Os cabos, conectores e demais acessórios são descritos por uma documentação que determina também como devem ser certificados, tudo de acordo com as orientações elaboradas pelos organismos de padronização.

Os equipamentos para a interconexão e terminação flexibilizam um PDS, complementam o sistema de cabeamento, mas em geral, o sistema ainda é muito dependente dos seus conectores e terminais. Se os responsáveis pelo projeto de cabeamento e seus executores seguirem o orientado pela documentação, o sistema de cabeamento funcionará em qualquer ambiente e terá um tempo de vida superior aos próprios equipamentos de rede.

EIA/TIA

A EIA/TIA especifica categorias de cabeamento em cabos coaxiais, cabos de par trançado e cabos de fibra óptica. O padrão EIA/TIA descreve tanto as especificações de performance do cabo quanto sua instalação. Porém esse padrão deixa espaço para que os responsáveis pelo projeto da rede física façam suas opções e expansões

O padrão EIA/TIA 568 Implementou um padrão genérico de cabeamento de telecomunicações capaz de suportar ambientes com varados produtos e fornecedores. Esse padrão tem como principal vantagem ser um padrão aberto, ou seja, é possível selecionar e especificar cabos que obedeçam a uma categoria específica do padrão e saber que vai se obter uma gama enorme de produtos compatíveis entre si, favorecendo a integração dos diversos ambientes de redes que conhecemos atualmente.

Código para Eletricidade

Passar cabeamento através da estrutura de edifícios implica no risco de incêndios. Várias entidades e fabricantes têm estabelecido padrões de como um cabo deve se comportar na presença de fogo. Um código de aceitação internacional é o NEC (National Electrical Code), desenvolvido pelo NFPA (National Fire Protection Association) dos Estados Unidos, que descreve vários tipos materiais a serem usados na produção dos cabos. Esse código estabelece, entre outras coisas, o limite de tempo máximo que um cabo deve queimar após a chama ter sido aplicada.

Os padrões NEC são listados em muitos catálogos de cabos e acessórios, classificando categorias específicas de cabos de cobre para determinados tipos de uso. Por exemplo, os cabos para redes locais estão geralmente classificados na categoria do tipo CM (communications, ou comunicações), ou no tipo MP (MultiPurpose, ou uso geral). Cada tipo de cabo possui ainda uma letra para designar seu uso. Por exemplo, a letra P, no tipo CMP (Communications Plenum) indica um cabo com propagação limitada de chamas e baixa produção de fumaça. Convém salientar que o código define "plenum" como sendo um canal ou sistema de dutos feitos para conduzir ar. Um forro falso ou piso não são considerados plenum.

Underwriters Laboratories

O UL possui padrões de segurança para cabos que estão de acordo com o NEC. Por exemplo, o UL 444 é o padrão de segurança para cabos de comunicação e o UL 13 é o padrão de segurança para cabos utilizados em circuitos de potencia limitada. Os cabos para redes podem cair em qualquer uma das duas categorias. O UL avalia amostras de cabos e depois conduz testes e inspeções de acompanhamento, que servem como referência para os fabricantes e integradores de sistemas.

As classificações do UL vão desde Nível I até V e têm a ver com performance e segurança, portanto os produtos que têm nível UL também atendem às especificações NEC apropriadas e aos padrões EIA/TIA para uma categoria específica. Cabos que possuem classificações UL, exibem na camada externa as indicações Level I, LVL I ou LEV 1, por exemplo.

Conclusão

Um conhecimento dos padrões de cabeamento é absolutamente crucial quando se está na fase de projeto de uma nova rede ou melhoria / ampliação de uma rede existente. Arquiteturas estruturadas como os sistemas básicos de distribuição e as diretrizes ditadas pelas normas e padrões de cabeamento sempre oferecem garantias para que o projetista possa escolher adequadamente os componentes de infra-estrutura visando à perfeita implantação da rede.

José Maurício Santos Pinheiro
Professor Universitário, Projetista e Gestor de Redes, 
membro da BICSI, Aureside e IEC.

Autor dos livros:
 
· Guia Completo de Cabeamento de Redes ·
· Cabeamento Óptico ·
· Infraestrutura Elétrica para Redes de Computadores
·
· Biometria nos Sistemas Computacionais - Você é a Senha ·

E-mail: jm.pinheiro@projetoderedes.com.br

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