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:: A indústria de Telecomunicações

José Mauricio Santos Pinheiro em 19/01/2005

 

As telecomunicações vêm ocupando cada vez mais uma posição de destaque, em nível mundial, em face do intenso desenvolvimento tecnológico atribuído ao setor e da globalização de atividades produtivas e financeiras.

Nas cinco últimas décadas, o setor de telecomunicações passou por transformações estruturais significativas no Brasil e no mundo, como, por exemplo, a mudança no acervo tecnológico e a alteração das forças que regulam as relações comerciais na cadeia produtiva.

Breve Histórico

No Brasil, o setor de telecomunicações teve sua primeira ação com a Lei 4.117, de agosto de 1962, que instituiu o Código Brasileiro de Telecomunicações e disciplinou a prestação do serviço, colocando-o sob o controle de uma autoridade federal. Essa lei definiu também a política de telecomunicações, a sistemática tarifária e o plano para integrar as companhias em um Sistema Nacional de Telecomunicações. Ainda na década de 1960, outra referência importante foi a criação do Ministério das Comunicações em 1967, o qual passou a fiscalizar as diversas concessionárias do serviço telefônico.

Nos anos 60, portanto, não só houve uma etapa na evolução tecnológica, como também se destacou a institucionalização da ação do Estado nas redes de telecomunicação. Esta participação governamental teve sua lógica estruturada para organizar, por via de fiscalização, estatização, centralização e integração, o serviço prestado à população.

Todavia, até o final da década de 1960, o sistema de telecomunicações brasileiro mostrava-se incipiente para ampliação e modernização de seus serviços que eram fornecidos por empresas nacionais e estrangeiras. No início da década de 1970, embora os serviços de comunicação de longa distância apresentassem níveis aceitáveis de qualidade, a telefonia urbana mantinha-se bastante deficiente, em razão tanto dos problemas tecnológicos não-resolvidos quanto da não-integração das empresas. Para se ter uma idéia, por volta de 1972, aproximadamente mil empresas exploravam os serviços públicos de telecomunicações, a maioria de capital privado.

No final dos anos 70 e durante a década de 1980 cresceram os negócios da indústria de equipamentos e uma boa parte das máquinas e equipamentos elétricos e eletrônicos importados destinou-se ao setor de telefonia e de telecomunicações. Nesse período fortaleceram-se os fabricantes que vieram a dominar o setor na década seguinte. No Brasil, o Segundo Plano Nacional de Desenvolvimento (II PND, 1974) estabelecia metas progressivas de nacionalização dos equipamentos fabricados pelas multinacionais aqui implantadas.

Como a inovação tecnológica é uma das molas mestras do setor, e sendo os investimentos diretos e os incentivos em pesquisa e desenvolvimento, uma das ferramentas de política industrial mais utilizadas nos países desenvolvidos, a criação do CPqD (1976) foi o instrumento usado para reduzir a dependência tecnológica externa ao longo do período. Porém, as modificações no cenário político e a piora da situação econômico-social do país na década de 1980 reverteram o ritmo acelerado de desenvolvimento do setor. Mesmo assim, esses anos apresentaram conquistas, impulsionadas, sobretudo pelo avanço tecnológico. Em 1985 e 1986, foram lançados os satélites de comunicação brasileiros e em 1987 começou a ser estudada a implantação da telefonia móvel no país.

Do ponto de vista internacional, também ao longo da década de 1980, iniciaram-se processos de liberalização em países desenvolvidos, sendo privatizadas as principais operadoras estatais. No Brasil, na década seguinte, especificamente no ano de 1998 temos a privatização do Sistema Telebrás.

O cenário atual

Recentes pesquisas divulgaram que a indústria eletroeletrônica viveu no ano de 2004, um dos seus melhores momentos graças, sobretudo, ao desempenho do segmento de telecomunicações e utilidades domésticas, com um aumento das exportações. Segundo essas pesquisas, a área de telecomunicações, por exemplo, teve um faturamento 51% maior em relação a 2003, salto que equivale a 33% em termos reais. Depois de telecomunicações, o segmento com maior salto na receita frente a 2003 foi o de utilidades domésticas, cujas vendas cresceram 20% em termos nominais.

Esses resultados não se devem ao acaso ou somente às políticas do governo. As dinâmicas evolutivas fizeram com que fosse necessário rever a própria definição das fronteiras na indústria de telecomunicações, isto é, a classificação de cada um de seus segmentos de atuação. Por exemplo, ao longo das últimas três décadas, três grandes inovações – fac-símile, telefonia móvel e a Internet – demonstraram como a rede de telecomunicações pode ser usada para criar novos produtos para o mercado de massa bem como modificar a forma que as pessoas vivem e trabalham. A criação da telefonia celular em 1973 foi outro importante passo. Da mesma forma que o computador pessoal alavancou a indústria de computadores no mundo, as novas necessidades da sociedade moderna em termos de comunicação tem sido a mola propulsora para a industria de telecomunicações.

O desenvolvimento de novos modelos de negócio na área de convergência digital que suportem a gestão da inovação tecnológica na indústria de telecomunicações também é uma realidade. Para desenvolvimento de novos projetos, empresas e universidades firmam parcerias que possibilitam a criação de modernos laboratórios, ficando em condições de viabilizar novos produtos, desde a sua concepção e plano de negócios, passando pelo design, testes de laboratório, prototipagem e até a produção industrial de uma série piloto. Essa cooperação possibilita disponibilizar ao mercado soluções inovadoras, de alto valor agregado, para operação em redes da nova geração, abrangendo principalmente terminais de convergência digital, aplicações em rede inteligente, entre outras.

Tendências

Observa-se que o setor de telecomunicações é extremamente dependente de inovação e das várias fontes geradoras de pesquisa e informação. As mudanças que estão ocorrendo na indústria de telecomunicações são muito significativas e estão alterando de forma permanente suas características. O aumento da concorrência, a entrada de novas empresas no mercado e o fortalecimento da competição mundial está levando as empresas a focalizarem os segmentos onde são competentes e fazendo com que estas procurem se tornar mais fortes nas suas áreas de atuação. Este fato significa que o desenvolvimento tecnológico que sempre foi fundamental para essa área, é um dos principais sustentáculos dessa indústria na atualidade.

As empresas do setor estão alterando o seu comportamento e estratégias para se tornarem cada vez mais competitivas, levando ao aprimoramento das atividades na área de pesquisa e desenvolvimento. Por sinal, a atual indústria de telecomunicações é um mercado de trabalho para profissionais com formação em áreas diversificadas, não só com formação em Telecomunicações, mas também em Administração, Sistemas de Informação e Redes de Computadores, entre outros. Concessionárias dos serviços de telecomunicações, centros de pesquisa e desenvolvimento, universidades e centros de treinamento, redes de rádio e televisão, indústria de telecomunicações e informática, indústria eletroeletrônica e petrolífera e quaisquer outras empresas que utilizem serviços de telecomunicações, são algumas das opções que o profissional encontra no mercado de trabalho.

Conclusão

A indústria das telecomunicações que durante a última década exerceu um papel importante no aumento da produtividade e na difusão tecnológica, vem experimentando um período de transformações tecnológicas, organizacionais e institucionais sem precedentes na atualidade, passando a compor um novo complexo estrutural que envolve desde o suprimento de novas tecnologias até serviços ao usuário final.

Enquanto infra-estrutura de apoio às novas tecnologias de comunicação, ao comércio eletrônico e à ampliação e difusão da Internet, a indústria de telecomunicações tornou-se um fator-chave na nova economia e nas mudanças das estruturas econômicas vigentes.

José Maurício Santos Pinheiro
Professor Universitário, Projetista e Gestor de Redes, 
membro da BICSI, Aureside e IEC.

Autor dos livros:
 
· Guia Completo de Cabeamento de Redes ·
· Cabeamento Óptico ·
· Infraestrutura Elétrica para Redes de Computadores
·
· Biometria nos Sistemas Computacionais - Você é a Senha ·

E-mail: jm.pinheiro@projetoderedes.com.br

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