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:: O Futuro da Internet

Marcos Filippetti em 03/12/2003

 

As redes de computadores têm crescido muito, em tamanho e em complexidade. Há duas décadas, o acesso à qualquer tipo de rede de dados era restrita a um grupo de pessoas, composto por cientistas, pesquisadores, tecnólogos e militares. Hoje, redes de computadores tornaram-se parte essencial de nossa infra-estrutura. A velocidade de crescimento da Internet talvez seja um dos mais interessantes fenômenos nesta área. Dentre os fatores que contribuíram para tal crescimento, destaca-se o protocolo de comunicação arquitetado por Robert E. Kahn e sua equipe, o Internet Protocol ou, simplesmente, "IP".

O protocolo IP funciona de modo análogo ao sistema postal. Ele permite o endereçamento e o envio de um pacote, não estabelecendo, porém, uma ligação direta entre o remetente e o destinatário. Para que essa ligação seja estabelecida, o protocolo IP deve agir em conjunto com um protocolo de camada superior, como o TCP (Transmission Control Protocol). Daí o termo TCP/IP.

A atual versão do protocolo IP (versão 4) tem sido extremamente bem-sucedida. A sua utilização possibilitou à Internet lidar com redes de dados heterogêneas, com o constante avanço tecnológico dos equipamentos, e com a alta escalabilidade.

Se o protocolo IP atual funciona tão bem, por que, então, mudar? No início, uma das principais motivações para a mudança foi a limitação existente no esquema de endereçamento da versão atual. Quando o protocolo foi definido, existiam pouquíssimas redes de computadores em operação. Os engenheiros responsáveis optaram, então, pela disponibilização de 32 bits para endereçamento, suficientes para se criar 16 milhões de redes, suportando, no total, 4 bilhões de máquinas conectadas. Suficiente para a época, insuficiente para os tempos atuais, quando a Rede praticamente dobra de tamanho a cada ano. Motivações secundárias vieram do aumento crescente da complexidade e dos requerimentos das novas aplicações e serviços utilizados pela Rede. Aplicações que trabalham com áudio e vídeo, por exemplo, precisam que seus dados sejam transmitidos em intervalos regulares, do contrário, há perda na qualidade do serviço o que, muitas vezes, é inaceitável para aplicações dessa natureza. Para manter esses dados fluindo pela Rede com harmonia e constância, o protocolo IP precisaria evitar a constante mudança de rotas, inerente à redes baseadas na comutação de pacotes (como são as redes IP) e definir prioridades para o tráfego de pacotes com dados críticos - como áudio e vídeo.

A nova versão, conhecida como IPv6 ou IPng (Next Generation), surge como uma resposta à essas deficiências. O IPv6 disponibiliza 128 bits para endereçamento (ao invés dos apenas 32 da versão antiga), suficientes para se obter 1.564 endereços distintos por m2 do planeta Terra. Esta capacidade expandida de endereçamento é, até certo ponto, compatível com o atual padrão, o que deverá suavizar o processo de transição. Dentre as principais melhorias trazidas pela nova versão, podemos destacar as seguintes:

  • Extensão das capacidades de endereçamento e roteamento de pacotes

  • Suporte à autenticação e privacidade

  • Suporte à auto-configuração

  • Suporte à seleção de rota

  • Suporte para tráfego com Qualidade de Serviço (QoS) garantida

Conclusão

O IPv6, apesar de incorporar algumas funcionalidades do IPv4, é um protocolo totalmente novo, desenvolvido e arquitetado tendo como foco uma verdadeira rede mundial e a capacidade inerente de crescimento da mesma, tanto em tamanho como em complexidade. Hoje, o foco da nova versão, ao contrário do que se pensa, não é apenas a capacidade virtualmente ilimitada de endereços, mas sim um gerenciamento eficiente dos mesmos, a incorporação da Qualidade de Serviço garantida (QoS) e a disponibilização de ferramentas de segurança para a camada de rede. O verdadeiro impacto dessa nova versão deverá ser sentido apenas nos próximos 3 ou 4 anos. Uma infra-estrutura experimental baseada na nova versão (apelidada de "6bone") já vem sendo desenvolvida há algum tempo. O Brasil vem participando deste projeto através da RNP (Rede Nacional de Pesquisa) e do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico).

 

Marco Filippetti

Professor no curso de Graduação em Redes de Computadores do CEINTER, 
autor do livro CCNA 3.0 Guia completo de Estudos 
e sócio da firma Netceptions Consulting.

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