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:: Dimensionando um Distribuidor Óptico em uma Rede Estruturada

José Mauricio Santos Pinheiro em 21/02/2004

 

Por definição, o projeto de uma rede estruturada tem como objetivo organizar e unificar as instalações do cabeamento existente e de novos sistemas que forem adotados, tornando-se assim uma referência padrão preparada para a adoção das novas tecnologias de redes.

Nos projetos das novas redes estruturadas, a fibra óptica tem sido muito utilizada como parte integrante das soluções, principalmente nos backbones de redes locais e metropolitanas. Nesse contexto, um Distribuidor Óptico tem a finalidade de acomodar e proteger todas conexões ópticas existentes, devendo ser dimensionado levando-se em consideração as diversas variáveis de um sistema com cabeamento estruturado.

O projeto de um Distribuidor Óptico deve prever funcionalidades em sua estrutura, que vão desde a chegada dos cabos ópticos da planta externa, que pode ocorrer tanto pela parte superior, inferior ou traseira de um rack (Distribuidor Geral Óptico – DGO), como também todas as emendas, terminações e armazenamento da sobra de cabos e/ou cordões ópticos utilizados internamente (Distribuidor Interno Óptico – DIO).

Todos os painéis que compõem um Distribuidor Óptico devem preservar características como o raio mínimo de curvatura dos cabos ópticos utilizados, além de possuir campos para identificação de todos os pontos de conexão e emenda existentes nos painéis.

Os principais aspectos que devem ser considerados na definição de um distribuidor óptico mais adequado para o projeto de uma rede utilizando cabeamento estruturado são os seguintes:

 

  • Densidade do Rack – Os racks são as estruturas utilizadas para o acondicionamento de equipamentos ativos ou passivos utilizados em uma rede. Inicialmente o dimensionamento e o posicionamento dos racks para abrigar um Distribuidor Óptico devem atender às necessidades e às partições definidas com base na baixa, média ou alta densidade de fibras ópticas da rede. Os racks geralmente se apresentam com a largura efetiva dos painéis de conexão (patch panels), expressa nos padrões de 19 ou 23 polegadas;

 

  • Conexão Cruzada e Interconexão – A técnica de conexão cruzada torna o sistema flexível, principalmente porque possibilita uma fácil manipulação das conexões ópticas, permitindo a realização de testes e monitoramento nas duas direções da conexão. Para essa configuração são utilizados dois painéis de conexão onde um painel fica vinculado aos cabos que chegam da planta externa e o outro destinado à conexão dos equipamentos ópticos ou cabos que darão continuidade ao sinal pela rede interna. Dessa maneira, a parte frontal de ambos os painéis fica disponível para as alterações que se façam necessárias através dos cordões ópticos, conhecidos como "cordões de manobra". Já a Interconexão é uma alternativa à técnica de conexão cruzada que permite a interconexão dos cabos que chegam da planta externa diretamente aos equipamentos ópticos ou aos outros cabos da rede óptica interna, através de painéis de conexão de passagem. É uma solução utilizada em locais onde se dispõe de pouco espaço físico para a instalação de painéis e racks;

 

  • Emendas "On-Frame" & "Off-Frame" – No caso da emenda "on-frame", os módulos de emenda das fibras ópticas encontram-se dentro do próprio bastidor de conexão e são interconectados ao módulo de terminação através de "pigtails". Por definição de projeto ou mesmo por características de construção da própria rede, na emenda "off-frame" as fibras ópticas são emendadas em painéis localizados fora do bastidor de conexão (em outra sala, andar, etc) ou em caixas de emendas subterrâneas apropriadas. Neste caso, normalmente os painéis de conexão são pré-conectorizados e o respectivo cabo da rede interna conhecido como Intra Facility Cable (IFC), segue diretamente para o painel remoto de emenda;

 

  • Acesso - A definição do acesso do cabo óptico ao rack depende principalmente do local onde será instalado o Distribuidor Óptico. Por exemplo, na configuração para acesso traseiro, pressupõe-se que os racks não serão instalados contra paredes ou costa-costa. A definição do acesso depende normalmente do espaço disponível para a instalação;

 

  • Conectorização – As terminações ópticas são constituídas basicamente por conectores, que tem como função realizar a conexão entre as fibras ópticas e os dispositivos ou equipamentos da rede.

 

Uma vez definido o tipo de Distribuidor Óptico, será necessário ainda adicionar alguns componentes extras que irão agregar valor a essa rede. Com certeza, em algum ponto do sistema de cabeamento será necessário utilizar divisores, atenuadores, combinadores e mesmo equipamentos ativos como um comutador óptico. Os Distribuidores Ópticos modernos já possuem integrados ao seu próprio bastidor módulos preparados para receber tais facilidades que, em forma de cartões, são inseridos diretamente nos painéis de conexão. Existem ainda softwares especialmente desenvolvidos e destinados à administração das redes estruturadas com fibras ópticas ou mistas com cabeamento metálico.

Uma vez considerados os pontos anteriormente descritos, o projeto da rede estruturada estará parcialmente definido. A partir desse momento deverá ser feito um melhor detalhamento, definindo-se como se dará a chegada e a passagem dos cabos, em qual tipo de piso o sistema será instalado (alvenaria, piso-falso), quais os conectores ópticos utilizados (SC, FC, E2000, etc), qual será a técnica de emenda utilizada (conectorização, mecânica ou fusão), padronização dos tipos de cordões ópticos utilizados (extensão óptica, cabo multicordão, etc).

Podemos concluir que o dimensionamento inadequado ou mesmo a não utilização de um Distribuidor Óptico poderá reduzir consideravelmente o tempo de vida, a flexibilidade e a eficiência que uma rede necessita, seja ela uma rede de TV a cabo, rede de telefonia ou rede de dados. Considerando o seu baixo custo em comparação com as redes de transporte (transmissores, multiplexadores e sistemas via rádio), a sua utilização trará grandes benefícios como retorno rápido do investimento e uma boa economia durante sua operação.

José Maurício Santos Pinheiro
Professor Universitário, Projetista e Gestor de Redes, 
membro da BICSI, Aureside e IEC.

Autor dos livros:
 
· Guia Completo de Cabeamento de Redes ·
· Cabeamento Óptico ·
· Infraestrutura Elétrica para Redes de Computadores
·
· Biometria nos Sistemas Computacionais - Você é a Senha ·

E-mail: jm.pinheiro@projetoderedes.com.br

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