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:: Computação Baseada em Servidor

José Mauricio Santos Pinheiro em 19/01/2004


Um fator crítico para o funcionamento das redes de comunicação atuais é a capacidade de oferecer aos usuários acesso on-demand às aplicações e informações corporativas a partir de qualquer local, dispositivo ou conexão de rede. Isso significa fornecer acesso a mais tipos de recursos para mais usuários em um número maior de cenários do que antes.

Essa complexidade de sistemas, criada por camadas sucessivas de novas tecnologias, assim como a grande diversidade de dispositivos, plataformas, redes, padrões e infra-estruturas disponíveis, torna um grande desafio a proteção de informações fora do ambiente da LAN corporativa.

Computação baseada em Servidor

Computação baseada em Servidor ou Server-Based Computing (SBC) é uma arquitetura de TI onde as aplicações são entregues, gerenciadas, suportadas e executadas 100% no servidor. Dados e aplicativos estão nos servidores e os PC’s tornam-se apenas aparelhos de display para a atividade que acontece no servidor e podem ser repostos por dispositivos mais simples chamados "thin clients".

A computação baseada em servidor lembra o modelo dos Mainframes, onde o processamento não é realizado no cliente, mas sim no servidor. Outros pontos de semelhança entre o modelo SBC e os Mainframes são encontrados principalmente nos aspectos gerenciais, segurança e suporte, mas a SBC traz novos elementos para melhorar a produtividade, redução de custos, reaproveitamento de equipamentos, níveis de satisfação dos usuários e disponibilização de novas aplicações, entre outros.

Esse modelo é uma evolução do ambiente de rede tradicional, que possibilita simplificar o desenvolvimento e a manutenção dos sistemas aplicativos, além de diminuir o custo de propriedade dos mesmos. Um modelo de "Computação Baseada em Servidor" possui três componentes funcionais:

O primeiro componente capacita o servidor a suportar inúmeros usuários simultâneos executando diferentes aplicações em seções separadas, com absoluta proteção e sigilo;

O segundo componente é uma tecnologia que separa a lógica da aplicação da sua interface gráfica, capacitando somente o teclado, as telas e o mouse a viajar pelo meio de comunicação ou pela rede, tendo como resultado imediato, uma melhor performance dos aplicativos, independente da largura de banda do meio de comunicação;

O terceiro componente está baseado na utilização e gerenciamento centralizado das aplicações e permite que grandes ambientes de processamento sejam disponibilizados aos usuários.

Figura 1 - Computação baseada em Servidor

O conceito MetaFrame

Trata-se de uma tecnologia baseada em Servidor, otimizada para trabalhar mesmo em conexões de baixa velocidade, possibilitando que as aplicações sejam executadas de forma eficiente sobre qualquer infra-estrutura de comunicações, incluindo roteadores, nós remotos, linhas discadas, etc. Não há tráfego de dados, nem de arquivos executáveis.

O tráfego gerado no backbone da rede local fica retido e apenas uma pequena fração do tráfego gerado pela aplicação corporativa tradicional é enviada. Somente as modificações das telas, os movimentos do mouse e os caracteres digitados no teclado são enviados através da rede e dos meios de comunicação, o que permite que os usuários locais ou remotos obtenham uma melhoria significativa no tempo de resposta em seus aplicativos, mesmo através de redes congestionadas.

Uma das principais características apresentadas é a facilidade de gerenciamento de servidores e de Server Farms (conjuto de computadores centrais que trabalham de forma unificada e são capazes de substituir uns aos outros em caso de falhas).

Funcionamento do MetaFrame

A idéia básica é dissociar a execução da aplicação da interface com o usuário, ou seja, do ponto de vista do usuário, as aplicações funcionam como se estivessem em sua máquina local; o usuário vê a aplicação, mas na verdade a mesma não está sendo executada em sua máquina. Como a aplicação é executada no servidor, não há mais necessidade de se utilizar máquinas potentes para simples aplicações internas. O ambiente gráfico na realidade é estabelecido em uma sessão no servidor de aplicações, que repassa para o cliente apenas as variações de telas e o cliente retorna os controles de mouse e teclado.

Por utilizar o processo de envio de tela, mouse e teclado ao PC Cliente, tanto o carregamento do programa executável, quanto a abertura dos arquivos de dados ocorrerão no PC Virtual uma de forma muito rápida na rede local. Por serem poucos dados, o tempo de resposta também é mais rápido.

Ao acessar um Servidor Metaframe,  o usuário recebe uma tela de identificação para que o perfil possa ser validado. Uma vez identificado, o servidor cria um ambiente conhecido como "Máquina Virtual" que se assemelha em todas as suas funcionalidades a um computador real.  Esse "PC Virtual" é reconhecido pelos servidores como se fosse uma máquina física existente no barramento da rede, mas na realidade tudo não passa de um artifício de software.

Figura 2 - Computação baseada em Servidor MetaFrame

Protocolo ICA

O ICA (Independent Computing Protocol) é um protocolo de serviço especializado na de transferência de imagens, equivalente ao VNC, que permite aos usuários remotos operem aplicações baseadas em interface gráfica (Windows, por exemplo) com um mínimo de consumo de banda, uma vez que a lógica do aplicativo é executada no servidor Metaframe e somente os objetos da interface e eventos são enviados ao PC cliente.

Dessa maneira, não há tráfego de dados de arquivos executáveis e os usuários trabalham em suas estações como se os aplicativos estivessem instalados localmente. Pelo fato do protocolo ICA ser implementado ao nível do sistema (GDI), ele é eficiente e compacto.

Figura 3 – Comparação entre ICA e outros protocolos de rede

O protocolo ICA foi desenvolvido para suportar os principais protocolos da industria como TCP/IP, NetBEUI, IPX/SPX e PPP sobre linhas síncronas e assíncronas, ISDN, Frame Relay e ATM. Por exemplo, uma estação de trabalho localizada em um ponto remoto, ligada à rede central através de um link de 64Kbps e utilizando uma aplicação cliente/servidor gera um tráfego de ida e de volta através deste link para cada consulta ao banco de dados e, dependendo do volume de dados, pode comprometer sensivelmente o tempo de resposta.

Com o uso de MetaFrame, a aplicação estará instalada no servidor Metaframe, normalmente localizado no mesmo barramento do servidor de banco de dados e, portanto, trafegando informações a uma velocidade muito mais rápida. Além disso, não haverá necessidade de replicação de banco de dados, gerando economia em hardware, software e pessoal para administração.

Vantagens 

A computação baseada em Servidor permite que sistemas corporativos de grande capacidade possam ser disponibilizados a todos os usuários e parceiros comerciais, onde quer que eles estejam e com o máximo de rapidez e eficiência, independentemente do tipo de meio e equipamentos utilizados na comunicação. Dentre suas vantagens podemos destacar:

Facilidade de gerenciamento: instalação de aplicações, atualizações e adições de software a partir de um ponto central;

Escalabilidade: Possibilita a adição de novos usuários na rede, conforme a necessidade;

Balanceamento de carga: Com a adição de novos servidores, o gerenciamento de carga "Load Balance", transforma o conjunto de servidores em um cluster com uma única imagem para o administrador e para os usuários da rede;

Desempenho independente da largura de banda: Como ocorre apenas a atualização de tela, teclado e mouse através do link, o tráfego na rede é substancialmente diminuído e o desempenho fica próximo ao que se obteria estando conectado a LAN;

Segurança dos dados e aplicações: Possibilita que os usuários acessem os aplicativos de rede sem fazer download dos arquivos para os equipamentos clientes, de modo que as informações vitais não trafegam pela rede.

ALE (Application Launching and Embedding): Permite a inclusão de aplicações  corporativas   em  qualquer   página www (HTML), sem a necessidade de 
reescrever códigos.

Conclusão

A computação baseada em Servidor pode ser encarada como uma solução combinada de hardware e software que possibilita a disponibilização de aplicativos corporativos (originalmente desenvolvidos para LAN), para um ambiente de rede distribuída (aplicações de WAN). Com a tecnologia MetaFrame, as aplicações passam a ser executadas em um servidor dedicado, não mais nas estações de trabalho. Como não há tráfego de dados na rede, alivia-se a carga sobre o link de comunicação.

José Maurício Santos Pinheiro
Professor Universitário, Projetista e Gestor de Redes, 
membro da BICSI, Aureside e IEC.

Autor dos livros:
 
· Guia Completo de Cabeamento de Redes ·
· Cabeamento Óptico ·
· Infraestrutura Elétrica para Redes de Computadores
·
· Biometria nos Sistemas Computacionais - Você é a Senha ·

E-mail: jm.pinheiro@projetoderedes.com.br

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