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:: Certificação x Competência

Rodrigo Campos em 18/01/2009

 

Há quem se disponha a acalorados debates sobre este tema. Tentarei abordá-lo com objetividade. Com o propósito didático, irei desconstruir algo em que acredito (formação) para explicitar algo em que não acredito (manipulação).

Atuo no mercado da tecnologia da informação (TI). TI tem como principal produto "conhecimento que gera tecnologia". Bill Gates e Steve Jobs, fundadores da Microsoft e Apple, respectivamente, são expoentes mundiais da TI. Suas empresas dispensam maiores apresentações, basta dizer que são marcas mundiais e que o faturamento delas é maior que a riqueza de países.

O que Bill e Steve têm em comum? Além da fortuna, da vocação empreendedora e da notoriedade mundial, nenhum deles completou sua formação acadêmica superior. Alguém duvida da competência deles? Os resultados desses profissionais não dão margem a esse tipo de dúvida. Eles são competentes!

Afirmo que a maioria de nós sequer qualificaria para entrevista ao cargo de analista de sistemas júnior os jovens Bill e Steve. Esses candidatos teriam ficado no filtro de perfil que definimos com o pessoal de Recursos Humanos (RH).

Por outro lado, ao longo da carreira, já analisei centenas de currículos e fiz uns sem-número de entrevistas. Confesso que tenho apreço por essa tarefa dado meu interesse por formar equipes, encontrar talentos e entender meus pares.

Concluí que é mais fácil encontrar disparates que coerência. Infelizmente, apenas um número pequeno de candidatos consegue sustentar aquilo que o currículo apresenta. Alguns mentem, mas a maioria acredita naquilo que escreveu ou disse, apesar da verdade evidente apontar em outra direção.

"Ter" um título ou determinada certificação, tornou-se mais importante que "ser" aquilo que o título ou certificado confere. Conheci gerentes que não sabiam gerenciar. Analistas que não sabiam analisar. Administradores que não sabiam administrar, entre outros exemplos que optei por não citar.

O filosófo alemão Friedrich Nietzsche diz que a mentira não é o maior perigo a que estamos submetidos. O perigo se encontra em algo que potencializa a verdade, ou seja, a convicção. A mentira em si já é algo que implica numa não verdade, no entanto, a convicção potencializa a verdade mesmo que esta seja uma mentira.

Criou-se uma indústria paralela em torno da formação. Ganham com isso as instituições oportunistas que formam e oferecem ao mercado cada vez mais profissionais menos preparados. Perdem os profissionais que investem e não obtém o conhecimento pretendido. Perdem as instituições sérias. Perdem as empresas que compram conhecimento que não existe.

Minha posição sobre "Ter" ou "Ser"? Digo que é melhor que o profissional procure o equilíbrio entre as duas coisas. É tão importante que ele obtenha títulos e certificações, quanto é necessário que ele seja aquilo que disser que é.

Complemento agora esta reflexão relatando um frase também atribuída a Nietzsche, citada em um dos comentários que já recebi sobre este tema, que traduz e sintetiza tudo aquilo que tentei dizer com este texto: "Torna-te aquilo que és!"

Rodrigo Campos
Diretor Presidente do Allegro Business Group.
Consultor atuante no mercado de tecnologia da informação e logística há mais de 15 anos.

Enviado por:
Mauricio dos Santos Melo
Pós-Graduado em Gestão de Projetos

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